Full Heartlines #1
A gente sempre acha que o pior tipo de término é aquele que vem com briga, porta do carro batendo e block mútuo no Instagram. Mas não.
O pior tipo de término é aquele que nunca termina.
É o amor que fica suspenso no ar, como uma frase cortada no meio. É o "vamos continuar amigos" e a gente nunca mais se falou. É aquele beijo que quase aconteceu numa festa às três da manhã, aquela conversa que quase virou um "Eu te amo" mas acabou com um link de TikTok para quebrar o clima. Aquele "e se" que você ainda repete para as suas amigas depois de uma garrafa de vinho — ou duas.
Os amores inacabados são os mais cruéis porque a gente nunca aprende a esquecê-los. Afinal, como esquecer algo que nunca foi completamente vivido?
Eles não têm cemitério. Não têm data de validade. Não têm aquela cena final dramática que a gente tanto odeia, mas que pelo menos encerra o ciclo. Eles ficam ali, meio vivos, meio fantasmas, ocupando um espaço entre o que foi e o que poderia ter sido.
E a verdade é que a gente romantiza demais o quase.
A gente transforma um cara de 1,75 em um amor épico digno de bridge da Taylor Swift. Aquela pessoa que deu ghost sem nenhuma explicação vira protagonista de uma história que só existe na nossa cabeça — e que a gente repete em loop, como se ouvir "So long, London" 47 vezes fosse nos transportar para aquele abraço. A gente preenche os silêncios com expectativas de que o telefone toque e seja você, finalmente você.
O quase é sedutor porque é perfeito, perfeito por nunca ter sido testado na vida real.
Ele só não teve tempo de decepcionar ou de te decepcionar mais.
O quase não te abraça de volta. Não aparece quando você mais precisa. Não constrói nada além de cenários hipotéticos e conversas imaginadas antes de dormir.
(Tipo quando você dirige sozinha ouvindo Drivers License e, por um segundo, se sente a Olivia depois do Joshua ter ido embora.)
Acho que ainda não aprendi a diferença entre nostalgia e recaída. Entre sentir saudade de alguém e sentir saudade da versão de mim que acreditava que ele mudaria e mudaria por mim, só por mim. Às vezes a gente não quer a pessoa de volta — a gente só quer voltar a sentir aquilo, aquela emoção de que aquela conversa arquivada vai virar um "1".
E talvez seja isso: a gente se apega ao quase porque ele carrega a última esperança de que tudo vai mudar e a the prophecy vai acabar.
Porque o quase ainda tem cheiro de búzios no verão, de moletom emprestado e daquela risada no chuveiro. Tem todos os pequenos detalhes que a gente guarda como tesouro e que, ironicamente, a outra pessoa provavelmente nem percebeu.
Mas uma hora a gente precisa escolher.
Ou fecha o ciclo de vez — enterra o quase, chora e bloqueia se for preciso, e segue — ou assume que vai guardar aquilo para sempre, como quem guarda um print de uma conversa que nem existe mais.
Eu ainda não sei o que decidir. O problema é achar que sentir demais precisa, necessariamente, ter um final feliz.
Às vezes o final é só reticências e nosso "quase" vai sempre me assombrar.
Esse texto é para quem ainda pensa naquela pessoa às 2 da manhã. Para quem sabe de cor a data daquela conversa arquivada. Para quem romantiza o quase mais do que deveria e sabe disso, mas não consegue parar. Para quem ainda não decidiu se enterra ou se guarda. Você não está sozinha nessa limbo.